Sábado, 3 de Novembro de 2007

A VELHICE

Para trás ficou uma vida activa, produtiva, geradora e criadora!
Vida que ganhou raízes e deu frutos. Para trás ficaram a adolescência, juventude, idade madura, amores, zangas, discussões e frustrações.
Agora, a velhice é a visão sobre uma serena planície, sobre um vasto oceano, visão sobre os mais longínquos horizontes que não se vêem, mas que se adivinham. É um tempo de reflexão e revelação por palavras; negativos dos factos do filme da vida.
A velhice já não é mais o ter de andar, o ter de trabalhar, não. A velhice é só mais um tempo de, na vida, estar e esperar, de viver, tendo mais certezas do que falta acontecer. A velhice é uma cor que vai ficando desbotada.
Foi-se a firmeza da cor da juventude. Muitos sóis, muitas águas passaram e sempre mais um pouco da força e do vigor levaram.
A velhice não tem princípio definido, mas começa, talvez, quando alguém nos chama avô pela primeira vez. Aí sim, rapidamente vem a constatação que já não se pode correr correr e acompanhar o traquino do neto ou neta.
Nas vinte quatro horas do dia começam a sobrar mais horas para a cadeira, porque o corpo, então, já um pouco cansado, aprecia mais o descanso de estar sentado. Já não sente nem tem tantas canseiras. É já tempo de largas conversas, muitas vezes repetidas; cenas do filme da vida, que são recordadas.
A velhice tem a ciência de teleguiar a vida dos mais novos. São realizadores que não mais participam nos seus próprios filmes, mas sabem de belos cenários, contam belas histórias e ajudam, sim, oh! se não ajudam, os netos e os mais jovens a sonharem. De velho se torna a menino. Quantos sonhos que, na juventude, foram eternamente adiados e são agora perseguidos para se tornarem numa realidade concreta? Chamam-lhe “hobbies”, mas entretêm ricos e pobres.
Na velhice, além do corpo, é importante alimentar o espírito, e todos as antecedentes idades sabem que a velhice é uma experiente crítica e sabedora de muitas verdades.
A velhice não é um tolice! É um sótão onde se guardam lembranças de pensamentos e brincadeiras de infância e de juventude. Na velhice quase que não se fazem mais asneiras e ganham-se virtudes. Já não se corre na pista da estrada da vida, mas sim pela sua berma. A velhice sabe que quem corre pela pista da vida chega sempre ao fim da corrida. Depois, vem o tempo de longas conversa, sem pressas. Afinal, a velhice não é uma chatice.
...................xxxxxxxxxxxxxxxxx............................................
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo

DR/SPA nº 15727

Gondomar-Portugal

 


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publicado por figas às 11:57
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